Dica de restaurante em NY: Graffiti

O Graffiti fica no East Village, uma região ainda pouco explorada pelos turistas. É um lugar minúsculo, um dos menores (ou o menor!) restaurante que já fomos. Mas, a comida é tão boa que você ignora o tamanho. Na verdade, para mim, o tamanho do lugar faz parte da experiência.

O cardápio traz influências indianas, nacionalidade do chef, mas na forma de tapas – ou seja, pequenos pratos para serem divididos entre 2 ou 3 pessoas. O cardápio é pequeno e os pratos estão divididos em 3 categorias: $7, $12 e $15. Esse é o meu restaurante favorito na cidade. Nós já vamos ao Graffiti por cerca de 2 anos e ele ainda é o meu #1. Mas acho que isso vem da combinação de fatores:

  1. eu adoro o chef Mehta, desde que o vi no Iron Chef;
  2. a comida é boa;
  3. os pratos são pequenos = vc prova várias coisas;
  4. a experiência é divertida;
  5. o vinho é barato ($25 por garrafa!);
  6. é perto de casa.

Por ter influência indiana, espere pratos “quentes”, com uma pimentinha. Mas acho que poucos pratos são realmente apimentados. Recomendamos esse restaurante para quem está disposto a se aventurar um pouco. Apesar do cardápio pequeno, escolher o que pedir pode ser difícil. Aqui a lista do que recomendamos:

Chili pork dumpling - by Malini

Chili pork dumpling – by Malini

Chili pork dumpling ($12): dumplings são massinhas asiáticas recheadas no formato de um pastel pequeno. A massa tem a espessura de massa de lasanha. Esse tem o recheio de porco e a porção tem 5 ou 6 unidades, não lembro, servidos cobertos com macarrãozinho (tipo miojo) quebrado. A mistura da textura macia do dumpling e o crocante do macarrão fazem o prato ainda melhor. Esse é um dos nossos pratos favoritos, SEMPRE pedimos. Não é picante.

Pickled ginger scallops ($12): provamos esse prato pela primeira vez recentemente. Scallops são vieiras, um tipo de fruto do mar que eu não conhecia no Brasil. Esse prato também não é apimentado, mas tem o “quentinho” do gengibre.

Graffiti burger ($15): a porção vem com 2 sliders (sanduíches pequenininhos), e, nesse caso, a carne é bem temperada, um pouco apimentada. Mas não é aquela pimenta de queimar a boca e te fazer chorar. É só um quentinho na língua, que passa com um gole de água.

pork buns

Braised pork buns – by Malini

Braised pork buns ($15): esse é outro dos nossos pratos favoritos, tanto que já chegamos a pedir 2 porções em um noite. O “bun”, nesse caso, é um pãozinho chinês, bem macio e levemente docinho. O recheio é porco e cereal (tipo sucrilho) em cima, pra dar a textura crocante. O prato é servido com um doce de damasco (cuidado com a semente, do tamanho de um feijão), que deve ser colocado no recheio. A mistura de temperos, doce, salgado, levemente picante, é fantástica! Novamente, não é apimentado.

shrimp

Green chili shrimp – by Malini

Green chili shrimp ($15): esse é um prato de camarão com broto de feijão. Não é um dos meus favoritos, prefiro usar os $15 em outro prato. Mas, é gostoso e não apimentado.

durck

Duck portobello

Duck portobello ($15): outro dos nossos favoritos e sempre presente. O prato é servido sobre o cogumelo portobello, com queijo de cabra. Esse prato é apimentado. Para quem não está acostumado, melhor não pedir ou se arriscar. Basta ficar tomando água :). Vem apenas 1 porção, que divide bem entre 2 pessoas ou, para os que não estão acostumados com pimenta, até 4 pessoas.

Vinho: a garrafa custa $25, o que é super barato para um restaurante em NYC.

Se for o jantar, para 2 pessoas, recomendo 5 pratos (ou 4 + sobremesa) se vocês estiverem tomando vinho. Para 3 pessoas, 6 pratos (ou 5 + sobremesa) e, para 4 pessoas, 8 pratos (ou 7 + sobremesa). Se estiver achando o preço alto, vale a pena ir e pedir apenas 1 prato por pessoa e provar algo diferente. 🙂

Avaliação da bodega:

4rapas(só não dou 5 porque é meio caro e não faz reserva online)

  • Preço: caro ($7-15 por pratos pequenos, $25 vinho – barato!). No total, com imposto e gorjeta, sai uns $60 por pessoa.
  • Ambiente: médio (MUITO pequeno, mas faz parte da experiência).
  • Atendimento: bom.
  • Comida: ótima.
  • Resumo da ópera: recomendamos para os viajantes que querem provar algo diferente, estão dispostos a abrir um pouco a carteira, e querem ter história pra contar sobre o tamanho do restaurante.
  • Voltaremos? Sim, sempre vamos lá quando temos pessoas queridas nos visitando.

Quer conhecer?

  • Precisa fazer reserva? SIM! Ligue para (212)677-0695 pelo menos 1 dia antes. (eu recomendo ligar pelo menos 3 dias antes, para conseguir com certeza).
  • Site: http://www.graffitinyc.com
  • Cardápio: http://www.graffitinyc.com/menu.html
  • Endereço: 224 East 10th street (rua 10, entre avenidas 1 e 2), East Village.
  • Metrô: L para a 1st ave, 14th street, e caminha na 1a avenida na direção sul (o número das ruas diminui). Ou 4, 5, 6, Q, N, R para a Union Square e vai a pé.
  • Google Maps

Para ler mais sobre o restaurante Graffiti, leia o post da Malini, que cedeu as fotos para esse post. (http://therestaurantfairy.com/2012/04/08/graffiti-east-village-nyc/)

Passeios em NY: Downtown, Wall St e Chinatown

Eu acho que só falamos de Chinatown nesse blog uma vez, e foi provavelmente falando mal. Fomos a Chinatown pouquíssimas vezes desde que chegamos aqui e não sabíamos muito o que fazer lá. Hoje, depois de 5 anos morando aqui, conhecemos um pouco mais de Chinatown e resolvemos escrever um post sobre esse bairro tão mal-entendido.

Antes de mais nada, Chinatown não é para qualquer um. Na primeira e única vez que escrevemos sobre Chinatown aqui foi em 2008 (recém-chegados) e eu falei mal do lugar. Não vou retirar o que disse porque meus comentários continuam valendo. Mas agora conseguimos ver outras coisas interessantes por lá. Sim, Chinatown continua meio sujo. Mas isso pode ser explicado por algumas coisas: (1) é uma região mais pobre da cidade; (2) é uma região super-populosa; (3) é cheia de ambulantes; (4) cheia de mercados de comida – incluindo muitos mercados de peixes e carnes, que faz a região feder um pouco. Mas isso não é em toda Chinatown. E, mesmo que fosse, eu continuo com a opinião de que todo mundo deve visitar Chinatown (do mesmo modo que acho que todo mundo tem que ir na Estátua da Liberdade, Empire State Building/Top of the Rock e Times Square). Faz parte da cidade e faz NY ser o que ela é. É uma região bem diferente do resto da cidade e acho que você encontra lugares assim em poucos países do mundo. Nos EUA, por exemplo, Chinatown como a de NY, só em NY (a Chinatown de SF é diferente…).

Então, o que fazer e ver em Chinatown? Você pode chegar a Chinatown de metrô ou caminhando. Fica pertinho do Soho, da Ponte do Brooklyn e do South Street Seaport. Nossa sugestão é começar mais pelo sul de Manhattan. Se vocês já viram ou não querem ver algumas das opções, olhem no mapa a estação de metrô mais próxima da atração que vocês querem ver e comecem a partir daí. O horário são apenas sugestões.

  1. 9:00: Pegue as linhas 4 ou 5 (verde) na direção para a estação Bowling Green;
  2. 9:30: desça na estação Bowling Green, pegue a Broadway e ande em direção ao norte de Manhattan, passando pelo parque Bowling Green;
  3. 9:35: pare para a foto com o Charging Bull (touro de Wall Street);
  4. 9:40: continue na Broadway em direção ao norte, até chegar na igreja Trinity;
  5. 9:45: dobre a esquerda na Wall Street e veja a bolsa de valores de NY (New York Stock Exchange) e a estátua do George Washington;
  6. 10:00: volte para a igreja Trinity;
  7. 10:05: siga na Broadway (norte) e entre no parque Zuccotti (onde estava tendo o Occupy Wall Street);
  8. 10:10: no parque Zuccotti, entre à esquerda na rua Liberty, dobre à direita na rua Trinity e à direita na rua Cortland para passar pela Century 21. A Century 21 é uma loja de departamento gigante, com várias marcas em desconto. É sempre MUITO cheia, mas bem em conta. Eu sugiro que você deixe para comprar aqui num dia que não seja de passeio a pé.
  9. 11:00: saia da Century e dobre à esquerda na Cortland e esquerda novamente para voltar à Broadway em direção ao norte até chegar na Capela St. Paul.
  10. 11:05: A capela St. Paul costumava ter um pequeno memorial do 11 de setembro. É uma capela bem antiga e vale a foto.
  11. 11:20: continue na Broadway norte até chegar ao City Hall. Pausa para descansar nos banquinhos (quem estiver cansado) e tirar mais fotos;
  12. 11:45: saia do City Hall e pegue a rua Centre para o norte (você vai ver a ponte do Brooklyn à esquerda). Siga pela rua Centre, passe pelo parque Foley, entre à esquerda na rua Worth e siga reto até o parque Columbus. Entre à esquerda na rua Mulberry;
  13. 12:00: a rua Mulberry na altura do parque Columbus é cheia de casas funerárias asiáticas (acho que a maioria – talvez todas – é chinesa). Pode não valer foto, mas é curioso/diferente. Entre no parque Columbus. Talve você veja pessoas jogando futebol (no final de semana são times de ligas da cidade… não é pelada de rua), volei, etc. Ainda no parque, você vai ver muitos asiáticos idosos sentados no bancos e muitas vezes cantando ou fazendo Tai Chi. No meio do parque tem um prédio bonito, arquitetura oriental, onde coisas acontecem no final de semana. Não passamos muito por lá então não tenho muitos detalhes. Mas vale o passeio.
  14. 12:15: Ok, hora de descansar novamente. Saia do parque Columbus na rua Bayard com Baxter e siga na Baxter em direção ao norte. Se gostar (e for maior de 21 anos!), passe na Whiskey Tavern. Peça 1 pickleback (por pessoa), 1 cerveja (por pessoa, ou um pitcher p/ 3 ou mais) e uma porção de tater tots (1 porção p/ 2 ou 3 pessoas). Não é almoço, é apenas descanso… relaxe, descanse as pernas, converse, veja as fotos que tirou e reveja a rota. Pickleback é um shot de whiskey aguadinho e um shot de pickled juice. Shot de tequila é muito 2011.
  15. 13:00: Ok, hora de voltar ao passeio. Saia da Whiskey Tavern e continue na rua Baxter em direção ao norte até chegar na rua Canal. Essa é a rua mais muvucada de Chinatown! É muamba e feira pra todo lado! Quando chegar na rua Canal, dobre a esquerda até a rua Centre para ver um prédio charmosinho em arquitetura chinesa (?). Acho que é um o único prédio com essa arquitetura em NY. Vale a foto..
  16. 13:10: Volte pela rua Canal e vá curtindo a muvuquesa da região. Eu não sugiro comprar nada aqui, mas, vale o passeio. Se você for mulher, é normal ser abordada por chinesas tentando convencer você a comprar bolsas “Prada” por lá. Não vá. 🙂 Ninguém vai assaltar você, mas não tem pra que comprar bolsa falsificada. Siga passeando na rua Canal até chegar na rua Mott. Entre a esquerda para continuar na rua Mott Agora, pausa para o almoço no restaurante Shangai Cafe (numero 100 na rua Mott).
  17. 13:45 – Opção 1 para o Almoço: Almoço no Shangai cafe é uma opção para quem está mais disposta a provar coisas novas. Se você souber o que pedir, não vai comer cabeça de galinha ou estrela do mar. Clique aqui e veja nossas dicas do que pedir no Shangai Cafe, lembrando que aqui só aceita dinheiro (cash only).
  18. 13:45 – Opção 2 para o Almoço: Se você não quiser provar o Shangai café, em vez de entrar na Mott, entre na rua Mulberry (também na direção norte) e passei pelo que resta de Little Italy. Quase não existe mais restaurante italiano tradicional/original e dos poucos que restam, 90% são pega-turista (ou seja, comida medíocre e cara). Se você estiver a beira de um desmaio de fome, coma. Se aguentar andar mais um pouco, continue passeando pelo resto de Little Italy até a rua Broome e veja a plaquinha “Welcome to Little Italy”. Continue na Mulberry, direita na rua Kenmare e à esquerda na rua Mott. Aqui, uma opção de almoço é a Parisi Bakery (rua Mott, número 198). Nós nunca comemos aqui, mas pelo que entendi, é um lugar que serve sanduíches frios (tipo pão com bologna, queijo, etc.). Essa é mais uma opção barata de almoço (cerca de $10/pessoa, com bebida).
  19. 13:45 – Opção 3 para  Almoço:  Mas, se você está disposto a gastar um pouco mais e esperar um pouco mais a aproveitar que está na região, prove a pizza da pizzaria Lombardi’s, na esquina da rua Mott com rua Spring. Essa pizzaria se auto-denomina a primeira pizzaria dos EUA. Aqui normalmente tem fila e você pode esperar até 1 hora para conseguir uma mesa, dependendo do dia. De todo modo, é mais fácil conseguir mesa na hora do almoço em dias de semana, então, se você estiver por aqui, vale a pena tentar. Faz tempo que não vamos lá, mas uma pizza (marguerita) grande custa cerca de $20 e serve 2 pessoas, refrigerante custa uns $2 a $3, e bebida alcóolica (acho que vinho e cerveja apenas) é mais caro. Como ainda tem garçon, aqui deve custa uns $20-$30 por pessoa.
  20. 15:00: Se tiver espaço para a sobremesa, prove diferentes tipos de arroz-doce (rice pudding) na Rice to Riches ou frozen yogurt na Pinkberry, ambas na rua Spring.
  21. 15:15: Siga na rua Spring em direção à Broadway (vire à esquerda na Spring quando sair da Lombardi’s). Agora você pode fazer compras ou apenas passear pelo Soho, seguindo norte ou sul na Broadway.

Ok, agora podem dizer que vcs me amam ❤

 

Comida barata em NY

Como já falamos antes, experimentar culinárias diferentes em NY não significa comer comidas estranhas e/ou gastar um horror. Uma dica de restaurantezinho legal que comemos até com frequência é o Num Pang, um lugar de sanduíches da Camboja (que eu jurava que era vietnamita, mas… enfim, é perto! :p)

O Num Pang fica pertinho da Union Square e pouquíssimo espaço para sentar. Se você está em NY entre os meses de abril-outubro, eu sugiro que pegue um sanduíche e vá para a Union Square, onde tem muito lugar pra sentar. Se você estiver aqui durante o inverno/começo da primavera, melhor melhor ficar por lá mesmo. Os sanduíches custam entre $7-$8.5 e são suficiente para uma pessoa. Se estiver com muita fome, 1 1/2. Dois por pessoa pode ser demais.

Eu tenho certeza de que quando eu falei “Camboja” 50% de vocês pensaram logo em “aaargh… deve ser super estranho”. Não é. Abaixo, os que nós já pedimos e recomendamos:

Sanduíche de almôndegas de vitela ao molho Hoisin

Esse é (metade d)o Hoisin veal meatballs, um sanduíche de almôndegas de vitela ao molho Hoisin (um tipo de molho asiático). Custa $7.50. A almôndega é bem diferente das que minha mãe faz, mas é uma delícia! Todos os sanduíches vem com penino, coentro, cenoura e um molho a base de maionese.

Sanduíche de porco ao molho agridoce

Esse é o Pulled Duroc pork, um sanduíche de porco desfiado, um pouco apimentado (nada extravagante, juro!) e com um pouco de mel – meio agridoce-picante. Custa $7.75.

Sanduíche de carne assada

E esse é o meu preferido! É o Grilled skirt steak. Skirt steak é um corte parecido com a fraldinha. A carne é bem temperadinha, não é picante, e eles sempre fazem (na minha opinião) no ponto certo: rosinha no meio. Adoro esse sanduíche! Custa $9.50 e vale a pena!

Viu? Quando eu sugiro coisas diferentes não tô dizendo pra você comer inseto! 🙂

Avaliação da bodega:

  • Preço: bom (sanduíches de $7-$10, sucos de $2-$3. Uns $10-$15 por pessoa).
  • Ambiente: pequeno mas não sei muito. Nunca fui (Daniel traz pra casa)
  • Atendimento: não sei. Nunca fui. Mas Daniel nunca reclamou.
  • Comida: Boa! Almoço ou jantar, dá pra pegar um take-out e comer no parque ou no hotel.
  • Resumo da ópera: recomendo! Os sanduíches são sempre bons!
  • Voltaremos: sim, comemos lá (ou melhor, de lá) 1 ou 2 vezes no mês…

Quer conhecer?

  • Site: http://www.numpangnyc.com/
  • Endereço: duas opções! 21 East 12th st. (rua 12, entre University Place e 5a avenida), Union Square; 140 East 41st st. (rua 41 entre Lex e 3a ave), Murray Hill.
  • Metrô (para o da Union Square): L, N, Q, R, 4, 5, 6 para a Union Square.

Obesidade nos EUA

Não sei se já falei sobre isso aqui, então, talvez seja um post repetido. Paciência. Talvez a idade (ou a leseira) esteja chegando mais rápido do que eu imagino…

O problema da obesidade aqui nos EUA é real e assustador. Sei que isso está em todos os jornais e todo mundo está carece de saber. Mas, vale repetir: obesidade aqui é um gravíssimo problema público de saúde! Nós temos obesidade no Brasil e eu tenho certeza que você está pensando: grande coisa, tem obeso em todo canto. Em parte, você está certo. Mas, se você não teve a oportunidade de vir aos EUA, eu acredito que você não tem noção do problema. O que nós consideramos obesidade no Brasil, aqui você passa a considerar sobrepeso. Peloamor, não estou falando isso cientificamente, ok? É visualmente! Obesidade é obesidade em qualquer canto. Estou me referindo a nossa referência visual do que é obeso, sobrepeso, normal, etc. O número de obesos aqui é muito grande e eles são, em grande parte, morbidamente obesos. Obesidade mórbida no Brasil é, comparativamente, raro! Aqui, é dia-a-dia.

Propaganda nos EUANão vou filosofar sobre as causas dessa situação que chega até a ser constrangedora aqui. Só quero dar um exemplo do que acontece… estava lendo meus readers ontem e esses foram os ads que apareceram. E aqui, isso está mesmo lado a lado: propagandas de comidas, as chamadas Western foods (ou seja, refrigerante, fast-food e comida semi-pronta), e propagandas de remédios, dvds, livros para emagrecer. Na verdade, essa primeira foto não é de propaganda de comidas: é o ad de um site com descontos (você cadastra seu email e recebe descontos para cantos diversos diariamente). Mas, pra que essa foto? É só uma amostra do que chama atenção das pessoas aqui (bem, chamou a minha… mas eu não gosto de donuts).

Isso é Brasil…

Quantas vezes você já ouviu essa frase ou sua equivalente “Só no Brasil mesmo”? Pois é, eu canso de ouvir isso diariamente, e a cada dia que passa, um dia a mais que estou fora do Brasil, vejo o quanto isso é injusto. Muita gente tem a ilusão de que apenas no Brasil certas coisas acontecem e/ou que fora do Brasil tudo é melhor. Não é exatamente assim…

Vejam bem, eu adoro morar aqui! E esse post não tem, de maneira alguma, a intenção de denegrir a imagem dos EUA. É apenas para mostrar que nem tudo é lindo como nós imaginamos do Brasil. Que nem tudo é como os filmes mostram e que os filmes não mostram tudo. São apenas algunns comentários sobre NY, NJ ou sobre os EUA, em geral.

Começo falando do cheiro da cidade. Isso é uma questão interessante, porque ninguém comenta! Ninguém havia me dito isso e eu não havia dito isso a ninguém. Mas, algumas partes de NY fedem. E muito. Não me refiro a cheiro desagradável temporário, como quando sai uma fumaça terrível dos bueiros da cidade, parecendo esgoto vaporizado. Estou me referindo a um cheiro constante, ou melhor, mau-cheiro constante, de bairros nobres de NY. Estranho, né? Chelsea é um bairro de NY na altura de onde Daniel trabalha, então passeamos muito por lá. É um bairro meio residencial, cheio de prédios bonitinhos, condos (casinhas típicas de NY de 2 ou 3 andares…) coloridos… é super interessante. Mas, por incrível que pareça, eu odeio andar por lá. As calçadas fedem terrivelmente a cocô e xixi de cachorro (cá estou usando palavras de baixo calão… tsk, tsk, tsk). É uma coisa terrível! Nojenta mesmo. Vera, minha sogra, comentou no blog dela que uma coisa típica de nova-iorquinos é andar com um copo de café na mão, e isso é verdade. Mas, eu não consigo tomar um gole de água sequer nas ruas de Chelsea, por conta desse cheiro.

Limpe!

E vocês podem perguntar: por que especificamente nesse bairro é assim? Eu não sei. Acredito que porque é um bairro bem residencial em que a maioria dos apartamentos permite animais de estimação. E todo mundo aqui tem um! A maioria são cachorrinhos, lindos, fofos, que muitas vezes andam no colo de seus donos. Mas, diferente do Brasil (ou Natal?), onde ensinamos nossos cachorros a fazer suas necessidades no quintal ou no jornal, se mora em apartamento, aqui os animais são ensinados a fazer na rua. Por mais que os donos sejam obrigados a recolher a sujeira de seu cachorro e colocar no lixo, a meleca fica! Alguém já disse isso a essas pessoas? Quando eu tinha cachorro, ele vez ou outra tinha diarréia. E aí, amigos, lascou-se. Se a desgraça acontecia antes do coitado correr pro quintal, lá íamos nós, cobrir com areia, secar, blablablá e limpar. Minha casa não cheirava a cachorro! Muito menos a suas necessidades. Aqui isso não acontece. Sujou a rua? Paciência. Ainda dê-se por satisfeito se o dono limpa (você pode ser multado, mas, pasmem!, muitos  não limpam!).

Saquinhos pendurados... legal, hein?Além de Chelsea, o West Village também tem partes fedidas. Não por inteiro, como Chelsea, mas bastante (provavlemente porque o West Village tem mais restaurantes, o que diminui o número de residentes com cachorros. E eu acredito que se o dono do restaurante é dono do prédio, ele também não permite animais). Não me entendam mal! Não sou contra animais! Sou contra o cheiro das ruas… Será que alguém poderia inventar um spray que acabasse com o cheiro? E que os donos de animais fossem obrigados a usar? Porque, mesmo que o cocô não esteja na rua, o xixi fica no chão! Geeeeeente, peloamor… fede, gente. Fede! E, por sinal, quando limpar, jogue no lixo! Não pendure, não deixe o saco no chão. Lixo. Enfim, meu conselho para quem vem: ao andar por certos bairros, prete atenção no chão!

Será que eu deveria finalizar esse post com um “Isso é NY…”?

Queen of Sheba – provando comida etíope

Daniel trabalha com um etíope, que nos recomendou um restaurante de seu país. É óbvio que fomos lá provar.

Quase passamos batido pelo restaurante – só não pulamos porque levamos o número da loja. A fachada é pequena, escura e nada chamativa. Entramos e a primeira impressão foi: “somos os únicos brancos daqui?”. Não, não éramos – mas éramos uma minoria absurda. O ambiente é muuuuito escuro. Escuro a ponto de quase não conseguirmos ler o cardápio e de não termos conseguido tirar foto (não íamos botar um flash num lugar super escuro… maracatu demais). As atendentes (só tinha mulher msm) não eram treinadas (ou foram mal-treinadas), não eram simpáticas mas não foram rudes. Pareciam ser etíopes, então talvez seja o jeito deles mesmo, né?, reservados?

Pedimos uma entrada que era uma massinha de panqueca (que eles chamam de “pão etíope”) e uma masinha frita (sabem cavaco chinês? Pronto, fino como ele, só que torradinho, meio gorduroso), para comer como recheio. Diferente e agradável. Antes que pudéssemos terminar a entrada, nossos pratos chegaram. Enfim, paciência. Arranjamos lugar na mesa minúscula e pronto. Meu prato era o pão etíope com carne moída (que eu juro que tava escrito “carne picada” e não “moída!”) e Daniel pediu o prato com amostra de todos os pratos: pão etíope com uns 10 tipos de recheio. Alguns recheios eram bons, outros eram muuuuito bons. Nenhum ruim, mas foi desagradável comer um recheio de carne cozida em cubos e meter a dentada em ossinhos… ugh. Esse prato com “amostras” é bem grande: basta pedir um para duas pessoas – mas eles cobram $5 a mais se você fizer isso. Mas vale a pena.

Para beber, Daniel pediu uma cerveja etíope – mais ou menos, segundo ele – e eu pedi vinho de mel – que tinha gosto de meladinha, só que suave e sem limão. Não comemos sobremesa… (não chegamos sequer a terminar os pratos…).

Avaliação da bodega:

4rapas



  • Preço: razoável (uns $10 pela entrada, $15 pelo prato principal, $20 pelo prato com amostras e $6 pela bebida alcoólica).
  • Ambiente: restaurante, pequeno, muito escuro, cara não especialmente convidativa.
  • Atendimento: normal.
  • Comida: muito boa. Não foi a melhor coisa que comi na minha vida, MAS, é uma experiência super legal.
  • Resumo da ópera: a experiência é ótima. Falei aqui que se come tudo com as mãos? Pois é. E no final eles te dão um papelzinho para limpar a mão – não se desespere.
  • Voltaremos: sim, com visitas.

Quer conhecer?

  • Endereço: 650 10th avenue, Clinton (?), Manhattan, NY
  • Metrô: como tem que andar de todo modo, praticamente todas as linhas de metrô.

1. Linhas C ou E até a estação da rua 50 (essa é uma das estações mais próximas – cerca de 15 minutos de caminhada):

2. Linhas A, C ou E até a estação da rua 42 – Port Authority Bus Terminal (15 minutos):

3. Linha 1 até a estação da rua 50 (17 minutos):

4. Linhas NR ou W até a estação da rua 49 (17 minutos):

5. Linhas 1, 2 ou 3 até a estação da rua 42 – Times Square (18 minutos):

6. Linhas 7, N, Q, R, W e o Shuttle do Grand Central (S) até a estação dua rua 42 – Times Square (18 minutos);

7. Linhas B, D ou E até a estação da 7a avenida (21 minutos).

O Museu Metropolitano de Arte (MET)

Entrada do Metropolitan

MET (Metropolitan Museum of Art) fica do lado leste do Central Park, na 5ª avenida com rua 81, numa região conhecida como Upper East Side. O metrô fica perto (dois ou três blocos nas linhas 4, 5 ou 6), mas não fica quase dentro do museu. Como o Museu de História Natural, está sempre lotado e com crianças em excursões de escolas. Quando eu chamo atenção é porque são desde crianças bem pequenas a adolescentes que andam em grupos grandes. Se você é uma pessoa meio impaciente, melhor tomar uma Maracujina antes porque de repente você está concentrado vendo um quadro de Picasso e 25 crianças param na sua frente, cochichando, apontando, daí vem a professora e começa a falar. Se você estiver com um audio guide, pior, não dá pra ouvir mais nada. Respire, conte até 5 minutos, e recomece quando eles forem pra outra sala. De modo geral, fuja de grupo. Atrapalham muito. E não sei se vale a pena participar de um… acho que o audio guide faz milagres. Pra quem não fala inglês, o museu oferece informações (no balcão), tours e mapas do museu em português. Mas o mapa você tem que downloadar (aqui).

Auto-retrato (Van Gogh)

Auto-retrato (Van Gogh)

Não sei se vale a pena conhecer todo o museu (que é gigante) em um único dia. Se tiver tempo, separe pelo menos 2 dias de visita. Se não tiver, escolha as galerias que mais agradam e fique muito tempo nelas. Nas outras, passe mais rápido, mas visite. Dois lugares que nós visitamos e recomendamos muito são o terraço no topo do museu, onde existe um barzinho e você pode aproveitar a belíssima vista de Manhattan, e a seção egípcia, que contém um grande salão/jardim com um templo egípcio antigo (original, trazido do Egito). O museu é aberto de terça a domingo, das 9:30 às 5:30 (sextas e sábados, até as 9 da noite). O audio guide custa $8 (e vale a pena, se você falar inglês) e a entrada “sugerida” é de $20, ou seja, você pode pagar o quanto quiser, mas eles recomendam $20. Por favor, não paguem menos do que $5 por pessoa. Se puder, pague mais. O museu é excelente e vale cada centavo.

Se ficou curioso pra ver o museu por dentro, em nossa última visita nós tiramos muitas (muitas!) fotos, inclusive de algumas das obras mais famosas.